Extraído de: Associação Nacional dos Analistas Judiciários da União  - 01 de Dezembro de 2009

Juízes querem mesmos direitos de procuradores

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O pedido feito por juízes federais ao Conselho Nacional de Justiça, para que tenham os mesmos direitos de integrantes do Ministério Público quanto a férias e benefícios extras no ordenado, levanta novamente a discussão sobre o quanto a Justiça paga pelo tempo em que os magistrados passam parados. A classe já encontrou resistência no Senado Federal, que não vê com bons olhos a aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional que aumente o número de dias de folga. Para a Ordem dos Advogados do Brasil, a questão é lógica: quanto mais descanso, mais tempo os processos esperam nas estantes judiciais.

Defensor da autonomia do Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça foi chamado para dar nova interpretação à Lei Orgânica da Magistratura, e autorizar os magistrados a venderem um terço das férias e a receberem auxílio-alimentação e auxílio-moradia, assim como promotores e procuradores da República. O motivo da equiparação é alinhar as duas funções públicas, já aproximadas pela Emenda Constitucional 45, de 2004, como explica o juiz Fernando Mattos, presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil, autora do Pedido de Providências.

A encruzilhada é que só a venda da terça parte dos 60 dias de férias a que têm direito os magistrados custaria aos cofres federais mais R$ 234,7 milhões ao ano em folha de pagamento, segundo reportagem publicada no domingo (29/11) pelaFolha de S.Paulo. Gozado, no entanto, o período de descanso ajuda a compor os seis meses que os julgadores passam parados anualmente, o que resulta em maior demora nos julgamentos.

Proposta ousada

Prestes a ser votada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a PEC 48/09 , via legislativa dos juízes para mudanças nas férias, já ganhou alguns narizes torcidos. A proposta original, do senador Valter Pereira (PMDB-MS), previa que, aos 60 dias de parada certa, fossem adicionados ainda outros 19, decorrentes do período de recesso forense entre 19 de dezembro e 6 de janeiro de cada ano. O fim de ano ganharia, assim, as férias coletivas para juízes e servidores, e o pit stop de quase um mês mais do que esperado pelos advogados.

Mas essa soma não estava nos planos da OAB, como afirma o diretor tesoureiro e futuro presidente da entidade, Ophir Cavalcante Junior. "A pausa nas publicações garantiria férias aos advogados, que hoje não podem parar. Mas a PEC criava um exagero", diz. Foi o presidente da Comissão, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), quem bateu o pé. Se os juízes não aceitassem incluir o recesso forense no período de dois meses a que têm direito, até os 60 dias estariam em risco. A ideia acabou democraticamente acatada. A Justiça fica de 19 de dezembro a 19 de janeiro funcionando apenas em regime de plantão, em férias coletivas, e esse tempo é contado como metade das férias a que os magistrados têm direito. A proposta pode ser votada pela CCJ já na semana que vem.

Olimpo profissional

Mesmo assim, os dois meses de descanso ainda estão muito além do que gozam trabalhadores em regime de CLT. "Os membros do Poder Judiciário são os únicos que trabalham dez meses e ganham 13", afirma Cavalcante. A razão que diferencia os magistrados dos empregados da iniciativa privada, porém, é justamente a flexibilidade do regime de trabalho, segundo Fernando Mattos. "O juiz não tem sábado e domingo, não ganha hora extra, não tem limite de horas trabalhadas. Muitas vezes leva trabalho para casa e é obrigado a morar em locais de difícil acesso", explica.

Além disso, segundo o presidente da Ajufe, os atrativos da função existem para torná-la desejável pelas mentes mais capacitadas. "A questão é: que juiz queremos? A magistratura não pode ser uma atividade de passagem, mas o ápice dos mais vocacionados", afirma.

O prêmio, no entanto, é caro. Reportagem publicada pela ConJur em 2006 mostrou que os juízes trabalham apenas metade do ano. Pelo menos seis meses viram vapor em fins de semana, feriados e emendas, férias, recessos e outras folgas. São os 11 feriados que qualquer brasileiro tem, outros 20 dias de recesso no fim de ano e mais sete feriados exclusivos. Além das férias de 60 dias por ano, há ainda oito dias de folga quando o juiz casa ou quando morre alguém da sua família, mais dois anos remunerados para dedicação aos estudos. Feriados estaduais e municipais também entram na conta.

Em comparação com os dias efetivamente trabalhados pelos trabalhadores em regime de CLT, o Judiciário labuta 55 dias a menos. Férias, os magistrados têm o dobro. Feriados, sete a mais, sem contar o recesso de fim de ano e a licença-prêmio que, somados, dão 36 dias. No fim das contas, empregados da iniciativa privada folgam 139 dias por ano, o que já não é pouco. Magistrados, 194.

Em um Tribunal de Justiça como o de São Paulo, por exemplo, que tem 360 desembargadores, os dois meses de férias equivalem a 60 magistrados parados a cada mês, o que movimenta juízes convocados para substitui-los. Esses juízes deixam para trás os processos de suas próprias varas, mas recebem uma gratificação pelo serviço a mais -que não é descontada dos ordenados dos titulares nas câmaras, mas dos cofres públicos. "Não tem estrutura organizacional que suporte isso", diz um integrante do CNJ que defende o fim da regalia e também da licença-prêmio, pela qual, a cada cinco anos, o juiz ganha três meses de férias.

No CNJ, o pedido de equiparação da Ajufe está empatado em um a um. A votação começou no dia 13 de outubro, e mais 13 conselheiros ainda devem votar. O relator, conselheiro José Araújo Costa Sá, indicado no Conselho pelo Ministério Público, é favorável aos argumentos, mas votou contra por entender que "a solução proposta ultrapassa os limites da competência administrativa atribuída a este Conselho". A sessão foi suspensa por um pedido de vista do conselheiro Marcelo Neves, depois do voto do conselheiro Felipe Locke aprovando o pedido.

Clique aqui para ler o voto do conselheiro José Araújo Costa Sá.

Pedido de Providências 0002043-22.2009.2.00.0000

Fonte: Conjur

Comentários (11)

Fábio Maia Trigueiro 30 de Novembro de 2009 » postado em notícia relacionada

Julgo equivocado o requerimento pelo fato de um magistrado, bem como um procurador federal, perceber remuneração incompatível com o termo "auxílio", tais benefícios fundamentam-se em complementar pequenos salários para que dados trabalhadores tenham condições mínimas de subsistência digna. O que não ocorre aos Excelentíssimos Juízes Federais (e qualquer outro), que são merecedores e dignos das remunerações que já ganham, porém, pleitear por extras (de até um salário mínimo) é incoerência e infringe o bom senso, será de R$ 22.000,00 é pouco?
Os grandes beneficiados com estes auxílio não juntam isto em 01 ano, enquanto tais magistrados (e novatos!) reúnem num ano a quantia de R$ 264.000,00.
Então doutores, tenham dó.
Sem falar que os argumentos usados são fajutos, "se o procurador federal ganha por que eu não ganho também?" - será que voces julgariam que um erro justifica outro?
Um simples e desvinculado exemplo: Se um fulano desviar verba numa autarquia federal por que ficou sabendo que assim fazem em todas as outras, este fulano deve ser perdoado?
Com certeza não.

Ao Fábio 30 de Novembro de 2009 - 13:15:48

Por favor colega, estude a estrutura organizacional judiciária. Ninguém no texto acima falou sobre procuradores federais, que são membros da AGU e não do Ministério Público. Obrigado.

Ao Fábio 2 30 de Novembro de 2009 - 13:22:38

Álias, para não incorrer em pequeno deslize técnico, substitua a organização judiciária (na minha mensagem), por estrutura das carreiras jurídicas. Obrigado (2).

paulo vargas 30 de Novembro de 2009 - 20:31:06

Ridículo o seu comentário. Com certeza v. Sa faz parte da grande massa de bacharéis formados nas inúmeras faculdades de fundo de quintal deste Brasil afora e que passa os dias estudando arduamente para ser aprovado em algum concurso público e quiçá engordar debruçado em algum balcão de repartição pública.

Fábio Maia Trigueiro 30 de Novembro de 2009 - 21:24:34

Este tipo de comentário não merece resposta, uma replica sem conteúdo! Traga ao bojo da discussão um argumento que justifique tais remunerações a juizes federais.
Ponha sua cara a tapa cidadão, identifique-se e deixe que a massa analise o seu tamanho "CONTEÚDO" jurídico, comente!
Não citei Procuradores federais por acaso ó grande mestre, analise as aspas. E quanto ao seu erro técnico nós o perdoamos...

Quanto ao comentário que menciona concursos e todo o resto: em momento algum citei taxação de lei ou jurisprudencial, busquei em meu comento fundamentos, pricípios e valores que informam o nosso ordenamento, buscando ao final a promoção do social - VOCE JA ABRAÇOU UM SUBNUTRIDO VÍTIMA DA SECA NO NORDESTE DO SEU PAIS? ele não ganha nem 20, nem 10 mil, nem mil reais, ele não tem nem o comer, nem o que vestir, nem onde morar, nem onde dormir.
E outra, SEM EMBARGOS DE OPINIÃO DIVERSA - até mesmo porque quem requer tais complementos é um orgão representativo de juízes federais, logo, pelo menos em tese, são todos grandes juristas.
Então tenha um mínimo de humildade ô amigo oculto.

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valci cardoso 30 de Novembro de 2009 » postado em notícia relacionada

Concordo com o cometário do Fábio Trigueiro. Em um país de poucas oportunidades, embora os MM. Juízes sejam merecedores dos salários e vantagens que percebem, entretanto, vale-refeição e auxilio-moradia corresponde mesmo a uma complementação de salário pequeno, daqueles que não conseguem alimentarem-se bem. Dessa forma, para que vai servir os salários dos magistrados ? Não querem gastar com alimentos e moradia, além das gordas diárias, parece um abuso com todas as vênias que se imagine. Quem ganha um salário mínimo, é bem justo que ganhe o vale transporte e o vale refeição. Mas um magistrado ir atrás de refeição e moradia, é uma pobreza de espírito podes crê. Caso o menor salário desse país fosse, dagamos, R$ 10.000,00 o pleito seria até razoável. Mas fora disso é um insulto aos jurisdicionados. Digam assim, nós somos uns privilegiados, primeiro, por ter tido oportunidade de uma formação universitária e depois por méritos próprios, terem atingido o ápice dentro do judiciário. Tenham mais pena da pobreza que mendigam muitas vezes por um salário mínimo e não conseguem. Tem irmãos morrendo ainda de fome e sede. É isso aí.

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anônimo 01 de Dezembro de 2009 » postado em notícia relacionada

"Já cheguei a me simpatizar com o comunismo via socialismo,e depois com o anarquismo etc. Vivemos num país com graves contrastes sociais, pra não falar das desigualdades, dos bolsões de miséria e da pobreza. Um país que precisa rever seus valores e administrar melhor suas riquezas, com distribuição de renda, novas políticas públicas, etc. Há muitos anos atrás, um cientista norte-americano passou pelo nosso país pra fazer um estudo de nosso povo. Sabe a conclusão que ele chegou? resp. "o Brasil é um circo!" -, infelizmente essa foi a sua conclusão, uma vergonha pra todos nós. Vamos voltar à monarquia e coroar esses "cidadãos" dando-lhes um status de rei num país de miseráveis, pobres e analfabetos; convivemos no dia-a-dia com milhões de assalariados e aposentados que vivem à mercê de uma política salarial, que há décadas reivindicam a reposição de suas perdas salariais, auxílio moradia e tantas outras coisas elencadas como direito de todo trabalhador.- Que país é esse?"

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Cleitonrp 02 de Dezembro de 2009 » postado em notícia relacionada

e que me traz maior perplexidade é os ilustre senhores defensores da classe "prejudicada" e tão "sofrida" é dizer que "É uma situação de muita injustiça"... concordo que a magistratura é uma classe de suma importância na regimento de nosso país... mas daí necessitar de implementação de "AUXILIO" é no minimo constrangedor para todo o povo realmente discriminado, como por exemplo a grande massa de aposentados do INSS, que um dia foram os responsáveis por todo a produção nacional e hoje se negam a conceder uma aumentos de 8% sobre a desculpa que estouraria o orçamento publico, enquanto um aumento nessa magnitude de milhões de reais, não haveria problemas...
em vez de igualar ao procuradores que recebem. deviam é tirar desses que também não necessitam de "auxilio" e conceder a quem realmente precisa.!!!

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Flavia RP 02 de Dezembro de 2009 » postado em notícia relacionada

Acho que nós somos um povo muito hipócrita. Se o aumento fosse para a classe de qualquer um aqui, tenho certeza que ninguém iria devolver aos cofres públicos por achar imoral. Todo mundo vira a casaca quando se trata do próprio salário, não adianta negar.
Para quem não sabe, esses auxílios visam "burlar" o teto do subsídio (já que o máximo valor salarial de qualquer funcionário público brasileiro deve respeitar o ganho dos ministros do STF).

A equiparação de ganhos tem a ver sim como MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL e não AGU. Os Procuradores da República tem direito a esses benefícios.

Agora, meus amigos, não venham dizer que se fosse a classe trabalhadora de vocês, ainda que fosse imoral, vocês devolveriam o dinheiro caso recebessem. EU DU-VI-DO.

O Brasil é um país desigual. Mas a desigualdade só vai começar a sumir quando esses políticos - esses sim um bando de vigaristas - forem impedidos de se reeleger. TODOS ELES. AÍ A DESIGUALDADE VAI COMEÇAR A ACABAR.

Eu não sou juíza, nem mesmo funcionária pública. Luto pelo meu ganha-pão todos os dias. Mas sou honesta.

E a grande maioria desses juízes, promotores, etc também são honestos e fazem parte de uma elite não porque foram eleitos: porque estudaram arduamente para serem aprovados em concursos dificílimos.

É isso mesmo. Quem estuda, que trabalha de verdade é quem merece ser premiado e ganhar muito sim. Fizeram por merecer.

Agora, o que diríamos do noss Congresso Nacional? E do nosso presidente que fica aí fazendo-se de coitadinho e até filme eleitoreiro vai ser lançado.

Ah, tenham piedade, viu... Basta dizer que o Jucelino Kubischek também era tao pobre quanto o "MULA". E batalhou para vencer. Venceu - formou-se médico.

O outro, trabalhou por alguns anos e ficou vivendo nas barbas do partido e de sindicatos. Se trabalhou 10 anos no duro foi muito.


Acorda Brasil!!!!!

Perdoem-me, mas é a minha opinião.

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Eliezer Freitas 12 de Março de 2010 » postado em notícia relacionada

Na verdade, a situação de juizes no Brasil, dá dó, ganham muito mau, agente nota isso guando se compara com u juiz americano que ganha somente uns 70% menos, levando em consideração que o custo de vida dos americanos é somente duas vezes o daqui.Um juiz federal aqui no Brasil ganhando apenas trinta vezes o que ganha um professor, Juiz no brasil estuda muito, uma pena que falta o senso de justiça...

Fábio Maia Trigueiro 13 de Março de 2010 - 16:04:19

Embora tenha votado pra sua eliminação no BBB, concordo com você, juízes ganham muito bem para reinvidicarem benefícios destinados a complementar a renda de trabalhadores integrantes da classe pobre e classe média baixa, qual juiz passa fome ou sente no bolso o dinheiro gasto no almoço de tal forma que seja necessário pedir vale-refeição para suplementar sua renda principal?? o mesmo se aplica ao vale-moradia.
Atenda-se ao espírito da norma, não foi pra este tipo de trabalhador que foi instituído tais auxílios, mesmo que classes análogas percebam os mesmos não é decente buscar vantagens por contaminação a situações iníquas equiparáveis.

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Disponível em: http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2023084/juizes-querem-mesmos-direitos-de-procuradores

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